Nossa História

Paróquia de São Judas Tadeu: momentos marcantes da nossa história

A igreja de São Judas Tadeu em Icaraí nasceu em 1959, fruto da necessidade, sentida pelo então Bispo da Diocese de Niterói D. Carlos Gouvêa Coelho, de criar uma igreja em Icaraí. O começo de suas atividades se deu na Rua Comendador Queirós, no terreno em que hoje se encontra o Centro Pastoral e Cultural.

Fazia-se necessário construir a igreja e em local definitivo. Era preciso pensar o seu projeto: conciliar a necessidade de um templo religioso que fosse um marco arquitetônico, no coração de Icaraí, conduzindo os fiéis ao recolhimento e à prece, sem fechar os olhos para as injustiças sociais, com uma igreja de pedra que fosse funcional, durável e, se possível, bela. Essa foi a motivação do pároco que teve a ideia da construção da matriz da
Igreja de São Judas Tadeu, Monsenhor Abílio Real Martins.

O responsável por reunir todas essas características no papel e construir um projeto que refletisse esse desejo, seguindo o conceito de arte sacra, foi o amigo e arquiteto Manuel da Silva Machado. O desenho foi aprovado em 1963, quase três anos após a proposta,trazendo o apelo de modernidade, que marca a igreja até hoje.

O começo da obra se deu em 1969, dez anos após o início das atividades da paróquia. Ao longo do caminho, surgiram desafios e surpresas, mas a ação de Deus e a intercessão de São Judas não faltaram.

Santíssima Trindade e a arquitetura triangular

Os recursos técnicos superaram as adversidades políticas e o arquiteto chegou a um meio de preservar o canal de Icaraí, que representava um dos principais entraves das autoridades. Para isso, o profissional escolheu três pontos fora do canal para suportar o peso da cúpula, levando ao resultado da igreja de forma triangular.

Para além da explicação técnica, o triângulo é a figura geométrica utilizada para simbolizar a Verdade de Cristo – há um só Deus, em três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Em resposta à Empresa Niteroiense de Turismo (Enitur), em 1980, sobre a moderna arquitetura, D. Abílio Real Martins afirmou: “pela pureza geométrica [a forma geométrica] inculca ao vivo a simplicidade de Deus e das coisas do espírito. Esta forma una, simples, rígida e indeformável exprime com felicidade a Unidade e a Trindade de Deus”. O sacerdote acrescentou ainda: “as projeções da cúpula desenham a estrela de Davi, que, vista de cima, forma um hexágono regular. Pode-se notar, assim, sem maior esforço, uma insinuação da estreita ligação da Nova com a Antiga Aliança. A torre obedece ao mesmo espírito formal em base triangular, com duas faces triangulares planas e duas faces verticais hiperbólicas”.

Da mesma maneira, as peças de cultura artesanal que se juntam em sequências diversas para revestir o templo se apresentam moldadas em formas triangulares. Com isso, não se pode desvincular da forma arquitetural da igreja uma perene evocação à Santíssima Trindade.

Sobriedade e beleza lado a lado

Já o interior da igreja veio sóbrio de decoração e de imagens: o Cristo Crucificado, uma imagem de Nossa Senhora e outra do padroeiro – de autoria de Julio Espinosa, mais condizente com o estilo da igreja, mas posteriormente substituída por outra de tipo tradicional.

A Capela de São Judas, por sua vez, foi decorada com o itinerário de suas viagens para evangelizar a partir da Ceia do Senhor, trabalho exclusivo do artista espanhol Julio Espinosa. O painel de entrada foi de autoria do mesmo artista. A alguns passos da grade de ferro que fechava o templo, mediando duas portas – entrada e saída – uma parede de cor dourada, artesanalmente trabalhada. Nela, vazadas do exterior para dentro, letras fechadas
ao fundo por transparências coloridas que, ao receberem a luz vinda do interior da igreja, como que se acendiam e deixavam à leitura dos passantes, em cores vivas, a inscrição latina “In honorem Sacti Judae’ (Em honra de São Judas).

Além de toda essa beleza sacra, a fundação do templo significava mais uma fonte de evangelização. Portanto, era mais um centro de irradiação de onde partiria, para todas as direções da paróquia, a proclamação da Palavra de Deus.

O artista Julio Espinosa também teve esse entendimento e desejou expressar essa ideia, esculpindo em toda a extensão da fachada da igreja as figuras simbólicas dos quatro evangelistas: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.

Já a rampa da construção dá acesso a um terraço em torno da cúpula, que funciona como um mirante, por ser um local privilegiado de convergência e observação dos prédios da praia, da Baía de Guanabara e da cidade do Rio de Janeiro.

Após o fim das obras, a igreja foi assim descrita para a Enitur, em 1980: “Compõe-se a igreja de uma nave circular, com raio de 12 metros, para 500 pessoas sentadas. Foi estudada circunscrevendo os três pilares (ocultos), por ser o mais indicada para comportar tal número de pessoas. Dispõe de um auditório para 200 pessoas, de um salão de cumprimentos e outro menor para pequenas reuniões, um conjunto de três salas de aula, uma sacristia espaçosa, sala de recepção, outra de atendimento, secretaria e outras dependências, além de um pequeno apartamento. Sem prejuízo da estética foi planejada também uma garagem”. A composição do espaço foi alterada conforme as necessidades da paróquia e as alterações das prescrições litúrgicas pós-Concílio.

Igreja de pedra X Igreja viva

Cada etapa só foi possível com a colaboração material e com as orações dos paroquianos, dos devotos de São Judas e dos amigos. Mas vale salientar o papel do templo espiritual, de pedras vivas, projetado no coração do primeiro pastor desta paróquia, que, simultaneamente com o templo material, se foi edificando nas linhas do Evangelho durante todo o tempo de seu vicariato.

Esta construção continua, portanto, em andamento, sempre segundo as inspirações do Espírito Santo aos sacerdotes que por ela são responsáveis ao longo da história. Começando por Mons. Abílio, e hoje sob o pastoreio o Pe. Carmine Pascale, já vários padres têm colaborado com essa construção viva, como é o caso de Pe. Alex Coutinho de Abreu, atual vigário.

A Igreja cresce sempre, como o quer o Mestre. É a Igreja de Cristo. Um sinal de solidariedade e comunhão. Um centro de vida religiosa, cultural e social.

Dedicação da igreja de São Judas Tadeu

Em 18 de outubro de 2014, sob o pontificado de Papa Francisco, o templo foi dedicado a Deus por D. José Francisco Rezende Dias, em honra a São Judas Tadeu. Na ocasião, foi realizada a deposição da relíquias de São Sisto e Santa felicidade, em Celebração Eucarística, da qual participaram D. Frei Alano Maria Pena OP, Pe. Carmine Pascale, Pe. Marcos André Rocha Gameiro, além de outros sacerdotes, diáconos, consagrados e numerosos fiéis. A cada ano, o aniversário da dedicação é celebrado com grau de solenidade, conforme prescrição litúrgica, no mesmo dia 18/10, e, por providência divina, abre as festividades do padroeiro.

Ícones Sacros

Para além das imagens iniciais, outras foram acrescentadas ao longo do tempo, fruto da devoção dos fiéis que aqui habitam:

Nossa Senhora de Lourdes

A imagem de Nossa Senhora de Lourdes pode ser vista por quem passa pela calçada lateral da igreja. Uma gruta, réplica da de Lourdes, foi preparada, e a imagem abençoada por D. Frei Alano Maria Pena, então Arcebispo de Niterói, no dia 04 de maio de 2004.

São Padre Pio de Pietrelcina

A imagem de S. Pe. Pio permanece no corredor lateral da igreja, e veio de San Giovanni Rotondo, na Italia, feita por um artesão local, na ocasião da peregrinação paroquial de 2005.

São José e a nova via-sacra

A imagem de São José e a via-sacra foram esculpidas pelas monjas do Mosteiro Beneditino de Itapecerica da Serra, em São Paulo, a pedido de Pe. Carmine Pascale, e chegaram à paróquia em 2006.

Nossa Senhora dos Anjos (Madonna D’Egli Angeli)

Em 19/08/2023, nossa paróquia teve a alegria de realizar a entronização da imagem mais recente: a de Nossa Senhora dos Anjos, no mesmo fim de semana em que se celebrou a Solenidade daAssunção da Bem-aventurada Virgem Maria.

A festa contou com a participação da comunidade de descendentes de imigrantes italianos, entre os quais os representantes da comissão que sugeriu e organizou a vinda da réplica da imagem da padroeira de Sacco-Salerno (sul da Itália) para nossa paróquia.

Na ocasião, nosso pároco, Pe. Carmine Pascale, celebrou a Santa Missa, em português e italiano, com a presença do Pe. Rafael Ronzani, vigário paroquial da igreja de Nossa Senhora das Dores (Ingá), também descendente de família italiana.

Ao fim da celebração, a imagem de Nossa Senhora dos Anjos, produzida pelo artesão napolitano Costabile Cantone, foi entronizada em seu nicho, em nossa capela especialmente reformada para recebê-la.

Além de a devoção Mariana ajudar os fiéis a se aproximarem mais de Jesus, o gesto consolida a relação entre a comunidade sacchesi e os niteroienses de origem italiana, homenageando e reverenciando os antepassados dessa comunidade que escolheram a cidade sorriso para reconstruir suas vidas, por meio de muito trabalho.

Essa mobilização teve a efetiva participação das cidades de Niterói e do Rio de Janeiro, da comunidade sacchesi de Nova Iorque, da comunidade de Sacco-Salerno e do pároco da São Judas Tadeu, Pe. Carmine Pascale, que desde o início abraçou essa explícita manifestação de fé.

Por Crislayne Andrade (Pascom SJT)
Adaptado de Nascimento de uma paróquia, de Maria de Lourdes Carpi